Orientação Vocacional: o estado da arte

Realizou-se no passado mês de Dezembro em Lisboa o II Seminário de Psicologia e Orientação em Contexto Escolar, tendo a Cegoc estado presente durante os dois dias de seminários e conferências apresentados. O evento contou com a participação de diversos especialistas da área, incluindo Deirdre Hughes, Comissária Britânica para o Emprego e Desenvolvimento de Competências, em representação do European Lifelong Guidance Policy Network.

O principal objetivo foi o de reunir informação sobre boas práticas e casos de sucesso internacionais, bem como perceber o que de interessante se tem realizado nesta área em Portugal, ao nível da investigação e do trabalho direto com as crianças nas escolas.



Um dos assuntos mais abordados pelo público, composto maioritariamente por psicólogos de escolas públicas, prendeu-se com o orçamento disponível para a avaliação psicológica no processo de orientação vocacional e com o pouco tempo que os psicólogos, sobrecarregados com outras funções, têm para acompanhar este processo de forma personalizada e próxima de cada aluno. Com os cortes orçamentais impostos nas escolas públicas e a redução das margens de lucros nos colégios privados, e apesar da área de Orientação Vocacional ser considerada de extrema importância, os valores disponíveis para investimento nesta área são cada vez mais reduzidos e o trabalho dos psicólogos é cada vez mais dificultado. Estas dificuldades prendem-se não só com a sobrecarga em termos de volume de alunos, sendo que existem psicólogos responsáveis pelo apoio a várias centenas de alunos, como também com a disponibilidade de verbas para aquisição de materiais atualizados para a realização da avaliação psicológica.

Tendo em conta o panorama da empregabilidade atual e as taxas de desemprego jovem registadas em Portugal, surgiu também a questão da ligação entre as orientações fornecidas e as necessidades do mercado de trabalho. Foi de consenso geral que é cada vez mais importante investir na Orientação Vocacional e efetuar um cruzamento desta com as necessidades do mercado de trabalho. Esta ponte entre a Orientação Vocacional e a Empregabilidade é vista pelos especialistas como um método eficaz para reduzir o desemprego jovem.

Da mesma forma, e tendo em conta as restrições orçamentais impostas, é cada vez mais importante avaliar, de forma eficaz e bem fundamentada, o custo-benefício da Orientação Vocacional, não só do ponto de vista do Governo e das direções das instituições privadas de ensino, mas também do ponto de vista do indivíduo. Para tal, deverão ser constituídos critérios gerais para a avaliação da eficácia da Orientação Vocacional, quer em termos de custos e benefícios imediatos, quer em termos de um futuro próximo, através de redução da taxa de desemprego jovem.

Reunindo as opiniões de especialistas internacionais sobre o que é realizado na Europa, percebe-se que a tendência poderá ser o estabelecimento de parcerias que permitam ultrapassar os obstáculos financeiros que impedem que sejam feitos novos investimentos na área da Orientação Vocacional. Caberá aos psicólogos procurarem novas formas de trabalho, novas parcerias e novos métodos, que lhes permitam investir em novos instrumentos e em mais informação para realizarem o seu trabalho?

1 comentário

  1. Francisco Ernesto Francisco20 de fevereiro de 2016 às 08:56

    … Apreciei o assunto arriba e tenho vindo a desenvolver algumas atividades no que tange a OEP e OVP. Teno notado que Portugal e Brasil são duas nações exemplares no estudo deste fenómeno, e dentro das suas dificuldades com avanços significativos. Concordo com o fenómeno “exiguidade de recursos financeiros” no âmbito do exercício dos psicólogos em orientação profissional. Em minha opinião, os psicólogos têm a capacidade de forjar planos e mobilizar métodos, técnicas e alguns recursos, mas o orçamento continua braço-de-ferro. Em Moçambique por exemplo inexistem os SOEP, não temos o exercício da prática profissional do psicólogo regulamentado, ou seja, a nossa legislação não nos acolhe neste âmbito. Aliás, mesmo a educação pré-escolar continua um mistério.
    Temos projetos de construção de Centros de Orientação profissional; Aconselhamento Psicológico; Avaliação Psicológica; etc., mas falta financiamento. O sector privado está preocupado e de olhos abertos para os recursos naturais e minerais e ao custo-benefício imediato.
    ...Deus nos abençoe!
    Francisco Ernesto Francisco.

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