Os “Determinantes da Performance”

A predição de futuros desempenhos profissionais de uma determinada pessoa é, porventura, um dos mais inquietantes problemas da, ainda comumente designada, Gestão de Recursos Humanos. De facto, sobretudo nas situações de contratação de uma pessoa que não conhecemos e quando queremos propor a um colaborador um desafio substancialmente diferente do que lhe é habitual, confrontamo-nos sempre, de uma forma mais ou menos explícita ou evidente, com a interrogação “cartesiana”: será que o(a) candidato(a) vai ser capaz?

Para responder a esta questão, a psicologia tem-se desdobrado em múltiplas teorias e fornecido um rico acervo de ferramentas métricas que permitam, de forma credível, elaborar propostas de valor em seleção e avaliação de pessoas, suscetíveis de melhorar os respetivos índices de validade preditiva. Apesar disso, estamos ainda longe de um consenso generalizado sobre quais os fatores que, de forma segura, constituem os mais sólidos determinantes da performance.


Entre outros motivos, a falta de consenso nas teorias explicativas torna-se ainda mais evidente quando começa…pela semântica: categorias que, por exemplo, aparecem nalgumas textos, e provas, nomeadas como “capacidades”, surgem, noutros, como “competências” e aquilo que alguns tratam como “traços”, são, noutros, referidas como “aptidões”.

Claro que há sempre um oportuno “e” à espreita da melhor oportunidade para desviar a dificuldade para uma oportuna generalização, do tipo “capacidades e competências” ou “traços e aptidões”. E quando a situação se torna realmente complicada, há ainda o recurso à providencial categoria de “características”, inatacável nas suas ressonâncias semânticas.

O problema, no meio de tudo isto, é que as eventuais confusões semânticas podem vir a resultar em potenciais défices e desvios nos consequentes efeitos pragmáticos, limitando seriamente os desejáveis resultados preditivos das respetivas provas.

Por isso, propomo-nos neste blog iniciar a discussão sobre as cinco categorias que, de acordo com a nossa leitura, constituem os principais alicerces e determinantes da “performance” de uma pessoa: os “traços”, as “aptidões”, a “motivação”, as “capacidades” e as “competências”.

Neste sentido, e para além da clarificação semântica e concetual de cada uma destas categorias, propomo-nos ainda problematizar o impacto de cada uma delas na “performance consolidada”, salientando, assim, o respetivo potencial preditor para desempenhos futuros.

Agradecemos, desde já, as contribuições dos eventuais leitores para esta discussão.

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