Trabalhadores felizes, organizações felizes

Nos dias de hoje, é comum ouvirmos alguém queixar-se das condições em que determinada pessoa trabalha: não se sente apoiado pela organização, não considera que seja devidamente recompensado, julga o trabalho como demasiado exigente, não tem possibilidade de organizar o seu trabalho da forma como pretende, etc.

Toda esta “sintomatologia” está relacionada com o conceito de Riscos Psicossociais. Estes são definidos como “condições que se encontram presentes numa situação laboral e que estão diretamente relacionadas com a Organização, o conteúdo do trabalho e a realização de uma tarefa, e que têm capacidade para afetar tanto o bem-estar ou a saúde (física, psíquica ou social) do trabalhador como o desempenho do trabalho” (Martín & Pérez, 1997).

As mudanças que ocorreram no mercado de trabalho levaram a que estes riscos psicossociais sejam, cada vez mais, um fator de preocupação, tanto das instituições relacionadas com a proteção da saúde nos trabalhadores como das próprias empresas/organizações, dado que afetam não só a saúde dos colaboradores mas também o seu desempenho no trabalho.


É cada vez mais comum ouvirmos falar deste termo que, até há algum tempo atrás passaria despercebido. Exemplo disso é o lançamento do Prémio Healthy Workplaces – Locais de Trabalho Saudáveis pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP). Com este prémio, a OPP pretende distinguir as organizações que demonstrem as melhores práticas a este nível e promover a gestão dos riscos psicossociais nas organizações. Para tal, lançou também uma listagem de instrumentos de avaliação de riscos psicossociais, para que as próprias organizações tenham a possibilidade de os avaliar.

Uma das propostas da OPP é o DECORE – Questionário de Avaliação de Riscos Psicossociais, publicado pela CEGOC em 2012. Trata-se de um questionário com 44 itens, que permite avaliar precisamente os quatro fatores considerados mais relevantes pelos autores desta área: Exigências Cognitivas, Controlo, Recompensas e Apoio Organizacional. É interessante percebermos que, tendo como exemplo o fator Exigências Cognitivas, uma alta exposição a este risco psicossocial poderá ser tão nociva para o trabalhador como uma baixa exposição. Ou seja, do ponto de vista dos riscos psicossociais, pode ser tão perigoso para o bem-estar do trabalhador o facto de este considerar que está perante um excesso de exigências - uma situação adversa que se relaciona com o stresse e a fadiga - como uma lacuna nas exigências cognitivas - que levam a uma baixa motivação, baixa satisfação e perda gradual das aprendizagens adquiridas.

Com uma vasta listagem de instrumentos para a avaliação dos Riscos Psicossociais à disposição, torna-se importante sensibilizar as organizações para esta avaliação, para a identificação das possíveis causas e possibilitar a intervenção primária.
Healthy and happy workers are productive workers!

1 comentário

Escreva o que pretende e carregue na lupa para pesquisar