Traço de Défice de Atenção

Já alguma vez experimentou, ou experimenta, os seguintes sintomas:

- Uma forte tendência para se dispersar e um sentimento persistente de urgência e de pressa, mesmo quando não há necessidade disso?

- Incapacidade para prestar atenção durante muito tempo a um pensamento, uma conversa, uma imagem, uma pessoa?

- Uma tendência crescente para o aborrecimento, impaciência, insatisfação, irritabilidade e frustração?

- Uma tendência para saltar de tarefa em tarefa, de ideia em ideia, de lugar em lugar?

- Uma tendência para se sentir sobrecarregado, mesmo quando o não está?

- Dificuldade em sentir alegria verdadeira em momentos agradáveis e perante realizações realmente bem-sucedidas?

Se a sua resposta for sim, e a frequência for grande, então é altamente provável que tenha TDA, tradução direta do inglês ADT ou Atention Disorder Trait, que passamos a indicar neste texto como Traço de Défice de Atenção, síndrome que, não sendo suficientemente grave para ser considerada na etiologia das chamadas “doenças mentais”, pode, todavia, causar danos consideráveis no nosso bem-estar e produtividade pessoais.

O termo deve-se ao médico americano Edward M. Hallowell, um “focus doctor”, como ele próprio se intitula que, na linha das investigações sobre as síndromes de ADD (Atention Deficit Disorder) em adultos e ADHD (Atention Deficit Hyperactivity Disorder) em crianças, propõe, no seu livro “Driven to Distraction at Work” (2015), um conjunto de ideias e sugestões para combater as dificuldades de concentração e os consequentes distúrbios de focalização no trabalho.

Menos grave que as suas congéneres, o Traço de Défice de Atenção é considerado como uma consequência do mundo complexo em que vivemos, onde a abundância de informação e de estímulos, em vez de ser considerada com uma coisa positiva, pela amplitude de possibilidades que traz para uma grande quantidade de pessoas, pode, pelo contrário, conduzir à dispersão e ao sentimento de incapacidade de “lidar com tudo”, com o seu esteio de consequências nas dificuldades de cada pessoa em se centrar num reduzido número de tarefas e objetivos e nos consequentes défices de produtividade.


Este efeito de dispersão resultante da dificuldade em “abarcar tudo, é ainda agravado pelo sentimento de perda de oportunidades que as pessoas sentem justamente por não ser humanamente possível responder a todos os desafios. Assim, a fruição emocional positiva do que se ganha pode ser (e nos casos mais agudos é mesmo) ensombrada pela frustração do que se receia ter perdido, podendo conduzir a pessoa a uma penosa situação de dificuldades na tomada de decisão.

As receitas para superar estas dificuldades já nos são mais ou menos familiares: a definição das prioridades, alinhadas com a nossa missão e os nossos valores “core”; a disciplina para lutar contra os “cronófagos” e as interrupções; o contacto com o nosso “inner self”, para descobrimos os nossos verdadeiros “drivers” motivacionais e os nossos núcleos de talentos e a coragem não só para dizermos “não” aos outros, mas, sobretudo a nós próprios e aos nosso “infinitos do desejo”, constituem ingredientes permanentemente atualizados para conseguirmos focalizar-nos.

A questão, no entanto, é que, transversalmente a tudo isto há uma outra forma de energia que constitui uma verdadeira força estruturante para tornar possível a disciplina e a perseverança imprescindíveis à focalização: é a “força da vontade”.

Sem ela, não há focus; sem ela, não há um verdadeiro sentido para a vida. Porque, como assinalava Yoda, famoso personagem da saga da “Guerra das Estrelas”: “Your focus is your reality”.

2 comentários

  1. Denise de Almeida Carneiro23 de julho de 2015 às 10:45

    Bom dia!

    Há algum tipo de avaliação que permita identificar a gravidade do défice e o tipo de ajuda a que recorrer?

    Obrigada

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  2. Ainda que não esteja disponível nenhum método de avaliação que avalie este conceito em concreto, dependendo do contexto e da avaliação pretendida existem vários testes que se podem adequar. Poderá entrar em contacto connosco através do e-mail testes@cegoc.pt ou do formulário de contacto do Blog dos Testes Psicológicos para obter mais informação.

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