Socorro, vou ser avaliado!

Mito 2#: Não é suposto saber o que se vai fazer numa sessão de avaliação psicológica.

O segundo mito que pretendemos clarificar relaciona-se com o “mistério” que existe em torno dos testes psicológicos. Genericamente, a informação disponível acerca dos testes psicológicos é, propositadamente, muito parca. O tipo e quantidade de informação que deve ser transmitida aos sujeitos antes da realização de testes psicológicos pode ter um papel importante nos resultados obtidos e na qualidade da avaliação.

A realização de testes psicológicos é, frequentemente, uma das etapas de diversos tipos de processos – por exemplo, processos de seleção, avaliações clínicas ou orientação vocacional.

Como em qualquer situação em que somos “postos à prova”, é natural que surjam dúvidas e alguma ansiedade antes da realização dos testes psicológicos. São comuns, por exemplo, as questões relativas ao treino para a realização das tarefas, aos procedimentos de correção ou à confidencialidade dos resultados.

Ainda que o psicólogo saiba que, na maior parte dos casos, estas preocupações são infundadas, muitas vezes são fonte de ansiedade para os sujeitos avaliados e podem, efetivamente, ter um impacto negativo nos seus resultados.

Aos psicólogos que utilizam testes coloca-se o desafio de gerir, não só as questões relacionadas com a utilização prática dos instrumentos mas também este género de questões, relacionadas com as interrogações, receios e desinformação que os sujeitos avaliados manifestam.

Uma vez que, em última análise, o bem-estar do cliente, pode ser influenciado pela forma como a fase de avaliação psicológica decorre, é fundamental que o psicólogo zele pela qualidade da sua atuação e aja de acordo com as regras éticas e deontológicas aplicáveis, como seja o Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses e as Diretrizes Internacionais para a Utilização de Testes elaboradas pela International Test Commission.

Existem, no entanto, questões, como as referidas anteriormente, que escapam à esfera de ação direta do psicólogo e sobre as quais mais dificilmente pode intervir. Nestas, a intervenção do psicólogo deverá ser, maioritariamente no sentido de informar, clarificar e prevenir que certos mitos e algum desconhecimento impeçam os sujeitos de serem avaliados em condições ótimas e de darem o seu melhor.

Conhecer as orientações consagradas nas diretrizes, respeitar as restrições determinadas pelo código deontológico da OPP e procurar a formação adequada, são requisitos indispensáveis à correta utilização das ferramentas de avaliação psicológica, de modo a assegurar a qualidade da avaliação realizada.

Neste sentido, partilhamos, no documento anexo, um resumo sobre os direitos e as responsabilidades dos vários intervenientes (i.e., sujeito avaliado e avaliador), elaborado pela American Psychological Association (poderá consultar aqui a sua versão original e completa) que esperamos poder contribuir para clarificar algumas das questões referidas.

2 comentários

  1. Gostaria de saber um pouco mais sobre a ética, deontologia na aplicação dos testes psicológicos. obrigada

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  2. Obrigada pelo seu comentário!
    Pode obter mais informação sobre deontologia e ética na utilização de testes psicológicos no código deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses (pode consultar em http://static.cegoc.pt/wp-content/uploads/2012/01/caodigo_deontolaogico.pdf), nas diretrizes internacionais para a utilização de testes da International Test Commission (pode consultar em http://static.cegoc.pt/wp-content/uploads/2012/01/DIRECTRIZES.pdf) ou nas orientações fornecidas pela American Psycholigal Association (pode consultar em http://www.apa.org/science/programs/testing/rights.aspx).

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