Cancro da mama: O melhor caminho é mesmo a prevenção!

O cancro da mama é o tipo de cancro mais comum, aquele que atinge mais mulheres e também daquele que existe um maior número de mulheres que lhe sobrevive. Existem, portanto, atualmente milhões de pessoas no mundo que sofreu ou sofre desta doença e estima-se que este número de pessoas aumente exponencialmente nas próximas décadas.


O sofrimento emocional associado a esta doença não começa no dia do diagnóstico, antecede-o, iniciando-se a partir do momento em que a mulher conhece as suas possibilidades de ter cancro e continua nos exames de despiste deste tipo de cancro. Ainda que para algumas mulheres a ansiedade que acompanha a possibilidade de ter cancro possa ser negligenciável, para outras não o é. Em algumas mulheres a ansiedade relacionada com a possibilidade de ter cancro é significativa, especialmente quando se aproximam exames de despiste da doença. Esse receio, entre outras razões, motiva muitas mulheres a não fazer um despiste adequado da doença, detetando tardiamente a doença e enfrentando pior prognóstico, tratamentos mais adversos e maior risco de morte. Algumas sentem este receio porque experienciaram a doença numa mulher muito próxima, uma familiar ou uma amiga, o que as faz ter um receio maior do sofrimento associado à doença. Claro está que na grande maioria das mulheres essa ansiedade é muito menor do que noutras fases posteriores, de diagnóstico, de tratamento e de sobrevivência à doença, e marcadamente menor do que em fases de recaída, recidiva ou em fase terminal da doença.

Muitas destas mulheres sentem-se incompreendidas pelo “resto do mundo”, que parecem não compreender quanto sofrimento causa esta doença, referindo-lhes, com as melhores intenções deste mundo, “é só uma mama” ou “ainda bem que é na mama, podia ser muito pior!”. É verdade que a mama não é um órgão vital, mas esse facto racional pouco ajuda quando se sente que a imagem de mulher, de mãe, de corpo de pessoa está alterada, abalando a visão global que a mulher tem de si e que os outros têm dela. Independentemente do local ou órgão, a mulher depara-se com a necessidade de enfrentar, não só cirurgias e mutilações, como também tratamentos invasivos, efeitos adversos e muitos receios pela própria vida.

O sofrimento emocional é habitualmente proporcional ao sofrimento físico, sendo mais marcado nas fases “agudas” da doença, em que a sujeição a tratamentos invasivos e ao mal estar físico são um contínuo, bem como, as implicações na vida da pessoa. As limitações físicas e de funções (pessoais, sociais e profissionais) que a mulher passa a enfrentar, bem como, a alteração consequente dos planos de vida, comprometem a sua qualidade de vida e sua saúde mental. Mas mesmo quando se consegue ultrapassar todo esse sofrimento e a esperança de sobrevivência aumenta, persiste o medo da doença reaparecer e de se vir a sofrer mais, ou mesmo, de morrer. Muitas vezes é como ter “uma espada em cima da cabeça pendurada por um fio muito ténue” que pode cair a qualquer momento, provocando o que se designa de “Síndrome Dâmocles”, caracterizado pela perceção de impotência de controlo da doença e do organismo e por ansiedade contínua. Os efeitos tardios e de longa duração físicos relembram-nas continuamente da sua doença e dos receios que lhe estão associados.

Devido às dificuldades sentidas ao longo de todo este processo de doença, muitas vezes surgem sintomas psicopatológicos, ou mesmo perturbações psicopatológicas, de ansiedade e depressão, de forma mais comum, o que compromete a qualidade de vida.

Felizmente muitas das mulheres que passaram por esta doença conseguem identificar um crescimento pessoal advindo deste processo desafiante, apresentando um maior ou menor grau de crescimento pós-traumático, descrevendo que passaram a valorizar mais alguns aspetos importantes da vida e a (re)pensar nas suas reais prioridades. Algumas mulheres referem que chegam a festejar a data de aniversário da doença, porque percecionam que a doença lhes concedeu uma segunda oportunidade de viver, com maior atenção, consciência e proveito.

Têm sido identificados vários fatores “adjuvantes” a uma maior resiliência destas mulheres. Entre as estratégias de coping encontram-se o apoio social (especialmente do parceiro), a espiritualidade, a procura de informação, a reavaliação positiva, a aceitação, o uso do humor, a música e o trabalho.

A relação com os profissionais de saúde também é de crucial importância, ajuda portanto, a perceção de que existe um interesse genuíno destes nas suas necessidades e no seu bem-estar, de que estão disponíveis e atentos, para além de providenciarem as melhores intervenções técnicas.

Conhecer formas de diminuir a possibilidade de progressão da doença também potencia a diminuição da perceção de impotência e a promoção de uma implicação ativa pessoal na saúde global. É importante, portanto, reforçar-se as indicações relativas à alimentação, à prática de exercício, ao controlo do peso, da utilização de estratégias de coping e de adesão às indicações médicas, bem como, é importante avaliar com as mulheres como conseguir aplicar na sua vida estas indicações.

Intervenções terapêuticas mais dirigidas também podem e devem ser aplicadas. As intervenções de grupo, especialmente as mais estruturadas, psicoeducativas ou cognitivo-comportamentais, têm sido indicadas por entidades internacionais como o National Institute for Health and Clinical Excellence , como intervenções de “1ª Linha” para estas doentes. Para além de constituírem uma oportunidade de apoio social, fornecem informação e treino em estratégias que podem ser muito úteis a estas mulheres, possibilitando a diminuição de sintomatologia psicopatológica e o aumento da qualidade de vida.

Concluindo, o melhor “remédio” ainda é a prevenção! De todo o sofrimento, o menos intenso e menos contínuo é o de enfrentar os exames de despiste da doença! Cabe-nos a todos informar desta realidade.

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