Os questionários de personalidade: factos e mitos

Os questionários de personalidade são utilizados nas mais diversas áreas de intervenção da Psicologia.

Por vezes, este tipo de instrumentos é utilizado pelo profissional para efeitos de diagnóstico (como é o caso do contexto clínico) ou de tomada de decisão (como é o caso da utilização em contexto de Recrutamento e Seleção). Outras vezes o objetivo é dar feedback ao sujeito avaliado (por exemplo em processos de Coaching ou de Orientação Vocacional).

Qualquer que seja o objetivo é muito importante que o profissional esteja ciente de alguns fenómenos que ocorrem quando as pessoas são confrontadas com o feedback acerca dos resultados de um questionário de personalidade.


Efeito de Barnum ou efeito de Forer

Um dos fenómenos descritos na literatura é o efeito de Barnum ou efeito de Forer que se refere à tendência para aceitar generalizações acerca da personalidade, que são verdadeiras para quase toda a gente, como tratando-se de descrições precisas e que se aplicam especificamente a si porque, supostamente, derivam de procedimentos estandardizados de avaliação da personalidade.

Isto significa que, desde que seja dito aos indivíduos que o instrumento é científico e que as descrições feitas sejam suficientemente genéricas, não será muito difícil conseguir que considerem as conclusões válidas.

Princípio de Pollyana

Um outro fenómeno refere-se ao princípio de Pollyana que descreve a tendência generalizada que as pessoas têm para aceitar com mais frequência os juízos ou comentários positivos do que os negativos.

Isto significa que a aceitação do feedback dado pelo questionário de personalidade é proporcional ao desejo de que as afirmações sejam verdadeiras.


Estes dois fenómenos têm conduzido a que proliferem no mercado instrumentos de avaliação dos traços de personalidade (e de outros constructos análogos) que se servem deste tipo de fenómenos para ganharem popularidade. Ferramentas cujo modelo conceptual é muito pouco claro, assim como o processo de construção ou de validação mas que fornecem informação aparentemente vastíssima acerca da maneira de ser da pessoa (mas que raramente recorrem a descrições passíveis de ser interpretadas como negativas e que são suficientemente genéricas para se aplicarem a quase toda a gente), recorrendo a designs magníficos, passíveis de deixar até profissionais experientes assoberbados com a profundidade de dados produzidos.

Por esse motivo, no momento de escolha de um questionário de personalidade é fundamental analisar o processo de construção e de validação do instrumento e a utilidade efetiva das informações proporcionadas pelo instrumento para o processo de diagnóstico ou para a tomada de decisão ou para o aconselhamento.

Caso contrário, a utilização deste tipo de instrumentos ou a leitura de um horóscopo qualquer não é muito diferente.

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