WISC-III – Como calcular os QIs e os Índices Fatoriais?

Relembramos que na WISC-III são 3 os outputs que ganham significado após a conversão dos resultados brutos em resultados padronizados. São eles: os resultados dos subtestes e os compósitos que estão na origem dos QIs e dos Índices Fatoriais. No caso dos subtestes, o procedimento de conversão dos resultados brutos em resultados padronizados poderá ser consultado no nosso texto ‘WISC-III - Como obter o resultado padronizado de cada subteste?’. Relativamente aos QIs e aos Índices Fatoriais, a informação que se segue é bastante detalhada quanto ao modo de o fazer.



Cálculo dos QIs/Índices Fatoriais

Os QIs/Índices são calculados a partir do somatório dos resultados padronizados obtidos em determinados subtestes. Consequentemente, antes de proceder ao cálculo dos QIs/Índices o examinador deverá converter o resultado bruto, obtido em cada subteste, em resultado padronizado. A obtenção dos QIs/Índices requer 2 passos:

Passo 1 – Cálculo das subescalas, escala completa e resultados totais

* Subescala Verbal – corresponde ao somatório dos resultados padronizados obtidos nos 5 subtestes verbais de aplicação obrigatória (i.e., Informação, Semelhanças, Aritmética, Vocabulário e Compreensão).

* Subescala de Realização – corresponde ao somatório dos resultados padronizados obtidos nos 5 subtestes de realização de aplicação obrigatória (i.e., Completamento de Gravuras, Código, Disposição de Gravuras, Cubos e Composição de Objetos).

Atenção, existem 2 excepções ao cálculo destas duas subescalas:

  1. Quando não é possível aplicar a totalidade dos subtestes obrigatórios, devido a alguma dificuldade particular do sujeito na sua realização.

  2. Quando, devido ao desempenho do sujeito (p.e., o sujeito “recusa” realizar o subteste ou obtém cotação 0 – zero - em todos os itens realizados), o subteste é invalidado.

Nestes casos o examinador tem duas opções:

Opção A =» se tiver administrado os subtestes opcionais, estes podem ser considerados para o cálculo destas subescalas. Por exemplo, os subtestes Memória de Dígitos e Labirintos podem substituir, respetivamente, qualquer subteste das subescalas Verbal e de Realização; o subteste Pesquisa de Símbolos, dadas as dimensões avaliadas, apenas pode substituir o subteste Código.

Opção B=» se apenas tiver à sua disposição 4 subtestes (verbais ou de realização), o examinador pode calcular proporcionalmente o somatório (o total) que será utilizado no cálculo destes QIs, ou seja, somam-se os resultados padronizados dos 4 subtestes realizados e multiplica-se esse valor por 1.25 (o manual técnico da WISC-III inclui uma tabela que permite fazer a correspondência entre 4 resultados padronizados e o resultado proporcional para 5 subtestes); o resultado deste cálculo será então utilizado para obter os respetivos QIs.


* Escala Completa – corresponde ao somatório dos resultados padronizados obtidos nas subescalas Verbal e de Realização.

* Resultado total de Compreensão verbal – corresponde ao somatório dos resultados padronizados obtidos em 4 subtestes verbais (i.e., Informação, Semelhanças, Vocabulário e Compreensão).

* Resultado total de Organização Percetiva – corresponde ao somatório dos resultados padronizados obtidos em 4 subtestes de realização (i.e., Completamento de Gravuras, Disposição de Gravuras, Cubos e Composição de Objetos).

* Resultado total de Velocidade de Processamento – corresponde ao somatório dos resultados padronizados obtidos em 4 subtestes de realização (i.e., Código e Pesquisa de Símbolos).


Passo 2 – Conversão das subescalas, escala completa e resultados totais em QIs e Índices Fatoriais


O examinador deverá recorrer às tabelas de conversão que constam no manual técnico da WISC-III, para proceder à equivalência entre somatórios/resultados totais e QIs/Índices Fatoriais. Assim, através deste procedimento, o examinador obtém para cada somatório/total o respetivo QI ou índice Fatorial:

* Resultado QI ou Resultado Índice Fatorial


Escala com média 100 e desvio-padrão 15. Os valores variam entre 40 e 160. O afastamento relativamente à média dita a qualidade do desempenho do sujeito, nas dimensões/competências avaliadas por cada um destes compósitos. Estes resultados podem ser classificados qualitativamente, mediante a utilização da classificação dos níveis de inteligência.

* Valor em Percentil


Escala ordinal, com média de 50. Os valores variam entre 1 e 99. Tal como referido no nosso texto ‘Percentil ou Percentagem?’ , o percentil corresponde à “…distribuição dos resultados ordenados da amostra (por ordem crescente dos dados) em 100 partes de igual amplitude, no qual ou abaixo do qual se situa uma determinada percentagem de casos. Por exemplo, um resultado no percentil 95 significa que 95% dos resultados se situam nesse ponto ou abaixo dele, enquanto um resultado no percentil 5 significa que apenas 5% dos resultados se situam nesse ponto ou abaixo dele.”.

* Intervalos de Confiança


Os intervalos de confiança permitem expressar a precisão dos resultados, fornecendo os valores limites, entre os quais, é provável que se situe o “verdadeiro” resultado do sujeito. Entende-se por “verdadeiro” resultado, o valor que seria obtido se os resultados alcançados pelo sujeito estivessem isentos de qualquer tipo de erro. Na WISC-III são apresentados resultados para dois intervalos de confiança (90% e 95%). Do ponto de vista da interpretação, para um intervalo de confiança de 95%, o QI da Escala Completa de 100 corresponde ao intervalo entre 91 e 109, ou seja, poderemos afirmar com 95% de confiança que, o “verdadeiro” resultado deste QI da Escala Completa se situará no intervalo entre 91 e 109.



Para além de toda a informação que foi referida anteriormente gostaríamos ainda de chamar a atenção dos utilizadores das escalas de Wechsler para o seguinte:

* O cálculo proporcional descrito anteriormente (ver opção B), apenas pode ser utilizado para obter os somatórios das subescalas Verbal e de Realização.

* O QI da Escala Completa jamais é calculado através do somatório do QI Verbal com o QI de Realização. Nunca se somam valores QIs! O QI da Escala Completa obtém-se somando os resultados padronizados dos cinco subtestes verbais com os resultados padronizados dos cinco subtestes de realização.

3 comentários

  1. É uma matéria com bastante interesse para os Gestores de pessoas. Pois os processos de recrutamento, selecção exige-se a escolha da pessoa certa para o lugar certo e os testes psicotécnicos dão um valor acrescentado nesse aspecto. O conhecimento dos QI das pessoas vai permitir distribuição de ppeis adequados aos colaboradores

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  2. Obrigada pelo seu comentário.
    Relativamente à avaliação da inteligência geral, no âmbito do Recrutamento e Seleção, existem evidências que demonstram que a inteligência é um
    preditor do desempenho profissional. Para aprofundar este tema sugiro-lhe a leitura do texto da minha colega Magda Machado: http://www.testes-psicologicos.pt/2015/09/17/avaliar-inteligencia-geral-processos-recrutamento-selecao/

    Boas leituras.
    Carla Ferreira

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  3. Rosãngela Resende Prata8 de março de 2017 às 18:11

    Boa tarde.
    Sou psicóloga e gostaria de saber valores de teste cognitivos. de personalidade, projeção e para fazer recrutamento e seleção.

    Obrigada!
    Rosângela Resende Prata.

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