Vai fazer testes para um processo de seleção? Eis algumas coisas quedeve saber sobre os instrumentos que lhe vão aplicar.




Nos últimos tempos temos sido abordados por vários candidatos, fazendo denúncias acerca de irregularidades no recurso a instrumentos de avaliação psicológica, utilizados pelas entidades responsáveis pelos processos de seleção em que estão a participar.

Por esse motivo, considerámos importante publicar um texto onde sejam descritos alguns direitos dos candidatos em processos de recrutamento e seleção e aspetos a que deverão estar atentos no sentido de assegurarem uma avaliação adequada.

Ser avaliado com materiais originais (e não fotocopiados)


A utilização de material fotocopiado pelas entidades responsáveis pelo processo de avaliação é dos aspetos mais referidos nas denúncias que nos têm sido feitas.

Uma vez mais, o tema da violação dos direitos de autor e as questões éticas e deontológicas já foram discutidas anteriormente (pode ver os artigos clicando aqui). Neste artigo vamos abordar o ponto de vista financeiro.

Algumas das queixas que nos têm sido apresentadas referem-se a processos conduzidos por empresas de recrutamento e seleção. Além das questões éticas e legais já mencionadas, a utilização de material fotocopiado por empresas cujo negócio é o recrutamento e seleção é altamente condenável. Porquê? Simples! Estas empresas cobram aos seus clientes pela condução do processo de seleção e, naturalmente, fazem-no para ter lucro.

A utilização de material fotocopiado permite aumentar grandemente as margens de lucro das empresas de recrutamento e seleção e permite-lhes fazer uma concorrência desleal relativamente a entidades que investem em material original e que, por conseguinte, perdem capacidade negocial por terem menos margem para baixar os preços.

Por outro lado, esta prática punível por lei, é também questionável uma vez que estas empresas, muito provavelmente, não informam os seus clientes acerca de tal facto, clientes que confiam que a empresa que lhes está a conduzir o processo de seleção segue todos os procedimentos corretos.

Por tudo isto e porque, sem a utilização de material original não consegue ter a certeza de que a empresa tem toda a informação técnica acerca dos instrumentos com que está a ser avaliado e, por conseguinte, não tem garantias de que as decisões tomadas com a sua avaliação são corretas, se lhe apresentarem materiais fotocopiados e sem a indicação do copyright, questione a entidade que está a conduzir a avaliação e, se necessário, denuncie a situação à Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Ser avaliado com instrumentos devidamente validados para a população portuguesa


Uma vez mais, o Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses refere a importância de os profissionais utilizarem testes “válidos, atualizados e fundamentados do ponto de vista científico e (…) que foram objeto de investigação científica prévia fundamentada, e que incluem estudos psicométricos relativos à validade e fiabilidade dos seus resultados com pessoas de populações específicas examinadas com esses instrumentos, bem como dados atualizados e representativos de natureza normativa (…)”.

A utilização de instrumentos que não estão devidamente fundamentados do ponto de vista científico e que não foram alvo de estudos que atestem a sua qualidade relativamente à validade e fiabilidade podem conduzir a que sejam tomadas decisões potencialmente erradas acerca da adequabilidade do candidato para a função a que se está a candidatar.

Assim, se tiver dúvidas quanto à existência de estudos de validade e fiabilidade do instrumento de avaliação, não deixe de questionar a entidade responsável pelo processo de Recrutamento e Seleção.


Assinar uma Declaração de Consentimento Informado



Este aspeto já foi abordado num texto publicado anteriormente (e que pode ser lido clicando aqui), mas do ponto de vista do profissional que conduz a avaliação. Aqui vamos falar um pouco da importância para os candidatos da Declaração de Consentimento Informado.

Além de ser um dos princípios incluídos no Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses, a existência de uma Declaração de Consentimento Informado é importante para os candidatos porque clarifica qual a utilização que será feita com os resultados da avaliação que lhes está a ser feita.

Adicionalmente, a Lei da Proteção de Dados Pessoais (Lei n.º 67/98, de 26 de Outubro, no seu artigo 6º explicita que “o tratamento de dados pessoais só pode ser efetuado se o seu titular tiver dado de forma inequívoca o seu consentimento (…)”.

Por isso, sempre que concorrer a um processo de recrutamento e seleção questione a entidade responsável pelo processo de Recrutamento e Seleção acerca da existência desta Declaração (se a mesma não lhe for entregue), uma vez que a sua obrigatoriedade visa, em primeiro lugar, proteger todas as pessoas que participam em processos de avaliação psicológica.


Em suma, quando participar em processos de recrutamento e seleção, que envolvam a realização de testes psicológicos, tenha em consideração que, enquanto candidato, tem direito a:
* realizar os testes com material original;

* que os seus resultados sejam comparados com dados recolhidos junto da população portuguesa (para tal, os testes devem estar devidamente validados para a nossa população);

* ser informado sobre a utilização que será feita dos resultados da avaliação.

Candidatos exigentes e conhecedores dos seus direitos contribuem para o progresso da avaliação psicológica em Portugal.

1 comentário

  1. Francisco Ernesto Francisco14 de abril de 2016 às 07:16

    Apreciei bastante!
    Deus seja Louvado!

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