Relatórios de avaliação psicológica… uma sugestão



Uma das tarefas frequentemente solicitada aos Psicólogos diz respeito à elaboração de um relatório escrito, que resuma o processo de avaliação psicológica. Trata-se da preparação de um documento que inclua, entre outros dados, informação técnica (sobre a avaliação), e que poderá ficar arquivado durante anos nos registos académicos, médicos ou jurídicos do sujeito. De acordo com Sattler (2001)1, são quatro os objetivos que lhe podem ser atribuídos:
  1. Facultar a quem o solicitou, assim como a outros profissionais, informação fiável sobre: o historial (obtido frequentemente através da anamnese ou recolhido junto de outras fontes), as competências sociais, as capacidades cognitivas e os traços de personalidade da pessoa avaliada.

  2. Ser tomado como ponto de partida para a validação de hipóteses clínicas ou para a preparação de um plano de intervenção.

  3. Resumir um leque de informação que poderá servir de referência para a avaliação do progresso do indivíduo, após a realização de algum tipo de intervenção ou passado algum tempo.

  4. Servir como documento legal.
Em contexto escolar, os relatórios acabam por ter um papel desencadeador dado que são, frequentemente, utilizados como base nas tomadas de decisão que dizem respeito a apoios, adaptações curriculares, intervenções, definição de estratégias, etc. Neste caso, os Psicólogos educacionais são habitualmente requisitados quando o desempenho da criança fica aquém do esperado (o que pode requerer uma avaliação do desenvolvimento, cognitiva ou académica) ou o seu comportamento e as suas competências sociais preocupam quem lida com ela.

Tratando-se de uma área em que os Psicólogos fazem parte de uma equipa multidisciplinar, é usual a entrega de um relatório de avaliação psicológica a outros intervenientes: professores, terapeutas, pediatras, fisioterapeutas, pais e até mesmo juízes ou advogados. Na preparação de tal documento o Psicólogo deverá focalizar-se no indivíduo avaliado e no seu “problema”, estar atento à linguagem utilizada (mais ou menos técnica), à abordagem que é feita ao processo avaliativo e ao foco que é dado a cada um dos resultados e respetivo significado, tendo sempre presente quem será o seu destinatário.

Em contexto clínico, os problemas comportamentais e o funcionamento neurocognitivo dos indivíduos são, frequentemente, o motivo para a condução de um processo de avaliação psicológica. Também nestes casos os relatórios podem ser partilhados com outros profissionais (p.e., médicos, psiquiatras, juízes, advogados, etc.). E também nestes casos se deve ter em consideração os cuidados referidos anteriormente na preparação do relatório.

A preparação e a composição de um relatório de avaliação psicológica, são temas bastante discutidos e sobre os quais encontramos informação na internet. Todavia, gostaríamos de deixar aqui a sugestão de um livro que pode ser útil a todos aqueles que profissionalmente têm de elaborar relatórios: Essentials of Assessment Report Writing de John Willey & Sons. New York, USA.


1 Sattler, J. M. (2001). Assessment of children: Cognitive application (4th ed.). San Diego, CA: Author.

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