A Seleção Natural ao Serviço das Organizações (parte 2)

O que poderemos dizer relativamente à personalidade, enquanto preditor da capacidade que as pessoas têm para responderem à mudança no contexto de trabalho? No texto anterior iniciamos a análise entre os traços de personalidade e a capacidade de resposta dos indivíduos em ambiente organizacional relativamente à estabilidade emocional e conscienciosidade. Agora, iremos debruçar-nos sobre os traços de extroversão, amabilidade e abertura à experiência.


A Extroversão pode ser importante, dependendo da natureza da tarefa

São muitos os estudos que apontam para a importância de uma destacada extroversão no sucesso profissional. No entanto, os resultados não são consistentes. Alguns referem que a extroversão é um traço relevante, apenas quando associada a uma elevada estabilidade emocional. Outros sugerem que, dependendo da natureza da tarefa, quer os perfis mais extrovertidos, quer os mais introvertidos podem ser vantajosos.

Por exemplo, se a função exige prestar atenção a diversas coisas em simultâneo, os sujeitos mais extrovertidos terão vantagem relativamente aos introvertidos. No entanto se, por exemplo, o enquadramento profissional exigir um elevado grau de vigilância, os sujeitos menos extrovertidos estarão melhor preparados.

A Amabilidade será importante? E a Abertura à Experiência?

As facetas associadas a uma destacada amabilidade, ou seja, o altruísmo, a benevolência e a empatia podem fazer a diferença quando a envolvente requer um contacto regular com outras pessoas, como é o caso de áreas que envolvam o atendimento ao cliente ou o trabalho de equipa. Se associada à Conscienciosidade, a amabilidade potencia a sinergia, a disciplina e a colaboração.

Num estudo publicado em 2014 na revista The Academy of Management Annals, Ning Li e colegas destacam a importância da Conscienciosidade, da Estabilidade Emocional e da Amabilidade, que correlacionam negativamente com comportamentos como o absentismo e outros comportamentos contraprodutivos.

Na prática, isto significa que as pessoas com maior sentido de responsabilidade, capazes de manter a calma em situações de stresse e mais orientadas para as relações, são as que menos evidenciam comportamentos contraprodutivos.

Já uma elevada Abertura à Experiência parece apenas ser relevante em enquadramentos organizacionais onde a criatividade seja determinante.

Que lições podemos tirar da investigação feita ao nível da personalidade?

Na Gestão de Pessoas, quer do ponto de vista da seleção, quer do desenvolvimento e retenção de talentos, a investigação diz-nos que é fundamental identificar as pessoas que têm uma destacada conscienciosidade e as que são emocionalmente estáveis. Se associada a estes dois traços se juntar uma personalidade socialmente desejável, então estarão reunidas as condições para que a organização tenha em si o potencial para singrar na realidade atual.

Naturalmente que o sucesso não se resume a traços de personalidade e a aspetos cognitivos. De pouco servirá ter pessoas com um enorme potencial em termos cognitivos e de personalidade, se tivermos estruturas e culturas organizacionais que promovem a manutenção do status quo e, por vezes, até penalizam a tomada de iniciativas.

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