Sobre os profissionais que vendem testes psicológicos para preparar candidatos



Enquanto editores de testes psicológicos e responsáveis pela avaliação das aptidões em alguns processos de candidatura ao ensino superior somos frequentemente abordados por candidatos e familiares de candidatos que nos questionam quanto à possibilidade de adquirirem os instrumentos que serão utilizados (ou equivalentes) de modo a preparem-se o processo de seleção.

Quando se trata de um pai ou de uma mãe que quer ajudar um filho, ou quando se trata de um candidato que não está por dentro das normas éticas e deontológicas que norteiam a avaliação psicológica, empaticamente explicamos que os aspetos avaliados com os testes psicológicos não dependem dos conhecimentos (pelo que não é suposto serem treinadas) e que a avaliação das aptidões tem exatamente como objetivo saber o que é que as pessoas naturalmente são capazes de fazer. Explicamos ainda que, o que nos pedem, é o equivalente a tentar que o professor partilhe o exame que irá utilizar.
Não nos aborrecemos porque compreendemos perfeitamente a ansiedade inerente a qualquer situação de avaliação e entendemos que faz parte da natureza humana tentar diminuí-la ou eliminá-la qualquer que seja a forma.

No entanto, quando se trata de psicólogos ou de empresas que, numa tentativa de terem lucro fácil, negligenciam normas éticas, direitos de autor e outras questões legais, a nossa postura é de total e absoluto repúdio!
Temo-nos deparado com psicólogos a fazê-lo sem qualquer prurido em violar o Código Deontológico da profissão, mas não só: basta fazer uma pesquisa na internet para verificar que são várias as empresas que prometem, aos candidatos, sucesso nos mais variados processos de seleção.
Há mesmo pessoas que, em processos de seleção mais concorridos e mediáticos se dão ao trabalho de contactar diretamente os candidatos (na era das redes sociais não é difícil encontrar os candidatos que estão inscritos neste género de processos de seleção), com a promessa de que têm para venda os instrumentos que serão utilizados.

Se, numa fase inicial, as entidades responsáveis pelos processos de seleção estavam confiantes de que os instrumentos utilizados não eram alvo deste tipo de pirataria, hoje em dia existe já uma perfeita consciencialização deste estado das coisas. Exatamente por isso, defendem-se, alterando regularmente os instrumentos utilizados, e optando por testes que não estão disponíveis, ou seja, que correspondem a versões reservadas que nunca foram consultados ou utilizados por Psicólogos.

Gostaríamos de deixar claro que a venda (partilha ou o que quer que lhe chamemos) é absolutamente reprovável por vários motivos:
  • Esta prática é desleal porque não assegura a igualdade de oportunidades entre todos os candidatos. Um processo de seleção é como se fosse um concurso. Como é que reagiríamos se soubéssemos que um concurso televisivo está viciado e que há candidatos com condições (no próprio concurso) que outros não têm?
  • Os testes psicológicos são instrumentos que permitem aos profissionais que os utilizam tomar decisões com base nos resultados. A sua disponibilização aos sujeitos avaliados retira por completo o valor diagnóstico do instrumento.
  • A reprodução total ou parcial, sob qualquer forma ou meio, de conteúdos com copyright viola o Código dos Direitos de Autor e dos Direitos Conexos.

Da nossa parte, enquanto editores, procuramos evitar a todo o custo este tipo de práticas. Por essa razão é que:
  • Apenas vendemos testes psicológicos a quem faça prova de possuir as qualificações mínimas exigidas.
  • Exigimos a todos os profissionais (a título individual ou em representação de organizações) a assinatura de um Termo de Responsabilidade onde se comprometem a não enveredar por este tipo de práticas (entre outros).
  • Nos processos de seleção onde as más práticas são mais comuns (como é o caso dos processos de candidatura ao ensino superior) utilizamos apenas testes psicológicos não publicados. Significa que quaisquer testes que sejam “distribuídos” para eventual treino não correspondem aos testes que são utilizados neste tipo de processos de seleção.
  • Agimos legalmente contra este tipo de infrações.




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