É psicólogo/a e quer fazer a adaptação/aferição de um teste à população portuguesa?


Então este artigo interessa-lhe!

A investigação realizada em Portugal no âmbito da adaptação/validação de testes psicológicos ainda tem um longo caminho a percorrer, até alcançar um ponto em que responda satisfatoriamente às necessidades dos profissionais.

Da nossa experiência na publicação deste tipo de instrumentos e da nossa participação em conferências e outros fóruns científicos, temos verificado que é frequente os investigadores negligenciarem alguns aspetos que são fundamentais para avançar com um projeto desta natureza.

Por isso, caso pretenda fazer a adaptação de um teste psicológico não se esqueça do que lhe dizemos a seguir.


Comece sempre por obter a autorização do detentor dos direitos de autor


Se pretender fazer a adaptação/aferição/validação de um teste psicológico que já esteja publicado e que tenha copyright é obrigatório obter a autorização dos direitos de autor.

Quando se trata de instrumentos com Copyright, é natural que o detentor dos direitos de autor requeira o pagamento dos materiais na sua totalidade ou com algum tipo de desconto para projetos de investigação. No entanto, a utilização de materiais sem permissão é ilegal e pode pôr em causa todo o projeto de investigação.

A este respeito, o Prof. Kurt Geisinger, do Buros Center for Testing e da Universidade de Nebraska Lincoln, refere este artigo como um exemplo paradigmático de negligenciar-se este pedido de autorização.

Quando se trata de um instrumento que não esteja publicado ou que não tenha copyright, informar o autor original é uma questão de educação e cortesia. 


Contacte uma editora para averiguar o seu interesse em publicar o instrumento que pretende adaptar 


Se o teste que pretende adaptar tiver um bom potencial comercial é previsível que não tenha dificuldade em encontrar uma editora que esteja interessada em publicar o seu trabalho. Se for um instrumento que responda a necessidades prementes existentes no mercado, a probabilidade de conseguir um financiamento da parte da editora é grande. A isto acresce que, uma vez publicado o teste, ainda pode receber royalties sobre as vendas.

Por outro lado, se, antes de iniciar o processo, envolver uma editora, é natural que ela assegure todo o trabalho e custos envolvidos na obtenção da autorização para investigação e posterior comercialização.

Caso o teste tenha pouco potencial comercial, seja por ter um âmbito de aplicação muito restrito, seja por estar pouco difundido, as editoras são um bom conselheiro, podendo apresentar alternativas que enriquecem o projeto.

Reveja a literatura mais recente sobre a adaptação de testes


O método tradicional de tradução-retroversão dos testes está cada vez mais em desuso. Vários estudos mostram que a simples tradução de um teste tem muitas lacunas. Tal como o Prof. Kurt Geisinger referiu na sua comunicação no 4º Congresso da OPP, “a adaptação é um processo de transformação de uma medida/teste existente de uma língua para outra, tendo em atenção as nuances culturais e mantendo as propriedades psicométricas de modo a que os resultados sejam comparáveis e válidos para as interpretações pretendidas”.

Num próximo artigo, aprofundaremos este aspeto.



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