Aspetos a que os psicólogos devem estar atentos ao escolher uma formação.


Com a proliferação de cursos de formação nas mais diversas áreas da psicologia, promovidos pelas mais diversas entidades e profissionais, chegam-nos, com alguma frequência, queixas e comentários dos participantes referindo que o curso não correspondeu às expectativas.

O investimento em formação exige um enorme esforço financeiro e pessoal da parte dos participantes. Para que este investimento não represente para o formando apenas um custo, chamamos a atenção para alguns aspetos que, por vezes, não são considerados no processo de escolha dos cursos ou formações e que, no entanto, podem fazer toda a diferença.

Assim, aqui vão alguns conselhos para todos os que pretendem fazer formação e, assim, enriquecer as suas competências profissionais.

1. O curso é acreditado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses?

Mesmo que o argumento dos créditos que se obtém pela frequência do curso não seja importante, o facto de o curso estar acreditado pela OPP significa que, pelo menos do ponto de vista formal, cumpre com um conjunto de requisitos considerados imprescindíveis para garantir um nível mínimo de qualidade. 


2. Quem é/são o(s) formador(es)? 

Ainda que o processo de acreditação da formação junto da OPP requeira o envio de informação acerca dos formadores que poderão ministrar o curso, a realidade é que nem sempre os formadores que ministram a formação são efetivamente aqueles que acabam por assegurá-lo.

Como é impossível à OPP controlar este aspeto (a não ser que seja informada de tal facto), sugerimos que a entidade formadora seja sempre questionada quanto ao currículo e experiência do(s) formador(es) na área da psicologia onde se insere a formação.

É importante ter em consideração que um curso de formação visa dotar os participantes de competências que sejam úteis na sua prática profissional. Assim, convém assegurar que quem vai dar a formação, efetivamente tem experiência prática no domínio da formação.
Temos assistido a várias situações em que o formador se restringe (e muitas vezes mal) aos conteúdos que estão nos livros, quando os objetivos da formação são substancialmente mais abrangentes.


3. Qual a duração do curso? 

Sendo este outro aspeto avaliado no âmbito do processo de acreditação, é pouco provável que haja cursos acreditados cuja duração não seja adequada aos conteúdos. Assim esta questão coloca-se, essencialmente, a workshops e ações de formação não acreditadas.

Vamos a um exemplo para clarificar do que estamos a falar: temos visto algumas ofertas de cursos e workshops com a duração de meio dia sobre instrumentos complexos como é o caso das Escalas de Griffiths, ou das Escalas de Wechsler. Participar num curso destes e ter a expectativa de o concluir a saber administrar e interpretar o teste, é como querer aprender a tocar piano com apenas 1 aula. Com uma agravante, no caso da avaliação psicológica, de estarmos a falar de instrumentos de diagnóstico, cujas conclusões retiradas a partir da sua aplicação terão um importante impacto na vida dos sujeitos avaliados.
Nestes casos, mais vale não gastar dinheiro e utilizar o tempo da formação para ler os manuais que são disponibilizados com o teste.


4. Que materiais são disponibilizados? 

A qualidade dos materiais pedagógicos é outro dos aspetos avaliados aquando do processo de acreditação. No entanto, não compete à OPP validar a qualidade técnica dos mesmos (a não ser que seja informada acerca da má qualidade destes).
Uma vez mais, temos recebido feedback de alguns profissionais que nos dizem que é frequente, em algumas formações, serem abordados testes psicológicos, mas que as entidades formadoras nem sequer utilizam ou disponibilizam materiais originais para consulta. Existem mesmo formações e workshops que fornecem fotocópias ou versões adaptadas de tais testes psicológicos (p.e., manuais, cadernos com itens, grelhas de correção, etc.). Ora, como é do conhecimento público, a reprodução de materiais, sob qualquer forma ou meio, é ilegal, violando não só o Código dos Direitos de Autor e dos Direitos Conexos mas também o Código Deontológico dos Psicólogos Portugueses. O que significa que ao ignorar, aceitar ou pactuar com estas situações o próprio formando está a incentivar este tipo de prática.


Gostaríamos ainda de deixar aqui uma última mensagem: a formação dos psicólogos é um assunto demasiado sério e dispendioso para que os profissionais se resignem a frequentar formações e workshops com qualidade questionável. Exija qualidade e faça cumprir os seus direitos!

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