Quando a utilização da internet deixa de ser saudável


A utilização da internet tem vindo a generalizar-se na população, com especial enfoque nas crianças e nos adolescentes (Cruz, Scatena, Andrade & Micheli, 2018). Estudos da Pordata estimam que 74.70% da população utilize a internet em Portugal em 2018. Utilizamos a internet nas mais diversas atividades quotidianas: para enviar um e-mail, para consultar um trajeto, para procurar informações, etc. Trata-se de comportamentos tão comuns que os temos sem prestarmos especial atenção. No entanto, também é cada vez mais frequente, ouvirmos falar sobre a dependência que se cria na utilização desta ferramenta.
A este respeito, algumas das questões que se colocam é saber quando é que o recurso à internet é um comportamento normal e quando é que passa a ser um comportamento aditivo? Quais são as suas implicações? Como se pode intervir?



O que é a adição à internet?

A adição à internet é um fenómeno relativamente recente, mas que já aparece referido nos principais manuais sobre comportamentos aditivos. É definida como uma adição não-química ou comportamental que envolve a interação homem-máquina de forma passiva (como o visionamento de filmes) ou ativa (como jogar jogos online) (Widyanto & Griffiths, 2006). Estes comportamentos não adaptativos podem levar a prejuízos sociais e funcionais.

Os padrões de utilização abusiva são similares, por exemplo, aos demonstrados por jogadores compulsivos (Lapa Ferreira de Prego, Castro & Lapa Esteves, 2014). No entanto, a adição à internet não é fácil de identificar, já que existem também aspetos positivos na sua utilização, relacionados com as atividades do dia a dia. O que diferencia a utilização normal de uma adição é, segundo alguns autores, a perda de controlo dos impulsos de utilização (Suissa, 2015).


Quais são as suas consequências?

Mais do que perceber a adição à internet, a maior parte dos estudos realizados recentemente procura identificar qual é o real impacto da utilização abusiva da internet, especialmente nos jovens adultos (Morahan-Martin, 2005). Alguns dos estudos realizados com adolescentes falam-nos numa maior ocorrência de problemas de ansiedade, perda de qualidade do sono, dor, fadiga muscular e pior performance escolar (Cruz et al., 2018) naqueles que apresentam uma adição à internet.



Como entender melhor este fenómeno?

A publicação do Grupo Hogrefe, intitulada Internet Addiction, da colecção Advances in Psychotherapy – Evidence-Based Practice aborda o conceito de adição à internet, as teorias e modelos aplicáveis, o seu diagnóstico e também formas de tratamento. Além disso, apresenta um estudo de caso que ajudará à compreensão deste fenómeno. Poderá ser uma leitura importante para quem pretenda aprofundar os seus conhecimentos nesta área.





Referências

Cruz, F. A. D., Scatena, A., Andrade, A. L. M., Micheli, D. (2018). Evaluation of internet addiction and the quality of life of brazilian adolescentes from public and private schools. Estudos de Psicologia, 35, 193-204.

Lapa Ferreira de Prego, V. M., Castro, F. V., Lapa Esteves, M. (2014). International Journal of Developmental and Educational Psychology, 5, 257-260.

Morahan-Martin, J. (2005). Internet Abuse: Addiction? Disorder? Symptom? Alternative Explanations?. Social Science Computer Review, 23, 39-48.

Shah Alam, S., Hazrul Nik Hashim, N. M., Ahmad, M., Che Wel, C.A., Mohd Nor, S., Asiah Omar, N. (2014). Negative and positive impact of internet addiction on young adults: Emperical study in Malasia. Intangible Capital, 10, 619-638.

Suissa, A. J. (2015). Cyber addictions: Toward a psychosocial perspective. Addictive Behaviors, 43, 28-32.

Widyanto, L., Griffiths, M. (2006). Internet Addiction: A Critical Review. International Journal of Mental Health and Addiction, 4, 31-51.

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