Novidade: AAT - Bateria de Afasia de Aachen


A Bateria de Afasia de Aachen (AAT) original é a primeira bateria de testes estandardizada e validada, criada especialmente para o diagnóstico de afasia em doentes de língua alemã. A Editora Hogrefe disponibiliza agora a adaptação portuguesa da AAT, da autoria de Martin Lauterbach, Isabel Pavão Martins, Gabriela Leal, José Fonseca e Klaus Willmes. 

A afasia é uma perturbação central da linguagem, que se pode descrever linguisticamente como uma perturbação em diferentes componentes do sistema linguístico (fonologia, léxico, sintaxe, semântica) (Poeck et al., 1975, Huber et al., 1982). As perturbações afásicas envolvem todas as modalidades linguísticas expressivas e recetivas, desde falar e compreender, até ler e escrever.

Este instrumento de avaliação é orientado para o diagnóstico, classificação e quantificação de perturbações afásicas em doentes com lesões cerebrais adquiridas. Os testes que compõem a bateria avaliam o desempenho linguístico nas diferentes modalidades e foram concebidos de modo a que os diferentes subtestes linguísticos apresentassem uma complexidade crescente. Tal como em outros testes de afasia, cada teste é composto por uma grande quantidade de tarefas. Este é um requisito indispensável na avaliação das afasias, uma vez que estas demonstram um desempenho flutuante.

Esta bateria é constituída por seis testes diferentes:
  • Discurso espontâneo
  • Token Test
  • Repetição
  • Linguagem escrita
  • Nomeação
  • Compreensão Verbal

A versão portuguesa da AAT permite discriminar entre doentes com afasia e doentes com lesão cerebral sem alterações da linguagem e fazer uma avaliação da gravidade das perturbações afásicas, fornecendo um perfil útil no planeamento de reabilitações. Na amostra portuguesa foi considerado um grupo de controlo, composto por 153 indivíduos saudáveis e uma amostra clínica, composta por 125 indivíduos com afasia, classificados em oito síndromes afásicas.


A AAT serve, assim, para os seguintes objetivos diagnósticos: 
  • Seleção de doentes afásicos de uma população de doentes com lesões cerebrais sem afasia;
  • Diferenciação de doentes afásicos nas diferentes síndromas afásicas: afasia global, afasia de Wernicke, afasia de Broca e afasia anómica, condução e transcorticais sensorial, motora e mista;
  • Identificação de perturbações da fala mono modais;
  • Identificação de afasias não classificáveis;
  • Avaliação de perturbações afásicas nas diferentes modalidades linguísticas (discurso espontâneo, repetição, nomeação, compreensão verbal, linguagem escrita);
  • Determinação da gravidade da afasia através de um perfil;
  • Descrição de perturbações afásicas em diferentes níveis linguísticos (fonologia, léxico, sintaxe e semântica).

A Bateria de Afasia de Aachen pode ser utilizada tanto para o diagnóstico primário e descrição das síndromas afásicas, como para a observação controlada da evolução da afasia.

A correção da bateria tem em conta o nível de literacia do sujeito examinado já que, em Portugal, a baixa literacia da população mais idosa influencia de forma significativa o desempenho em alguns testes. Através da plataforma de correção, é possível obter um relatório de resultados que indica a probabilidade de diagnóstico de afasia, gravidade da perturbação, classificação sindromal nas síndromes atípicas ou classificação sindromal nas síndromes stanrdad (caso se exclua um diagnóstico positivo nas síndromes atípicas).

A AAT pode ser utilizada por todos os profissionais da área da patologia da linguagem. O processo de tradução, adaptação e estandardização da versão portuguesa da Bateria de Afasia de Aachen pretendeu disponibilizar um teste internacional de afasia em Português, para os profissionais da área da patologia da linguagem, que permita a realização de estudos interlinguísticos e interculturais, multicêntricos, não só a nível europeu mas também, com as devidas adaptações culturais, que seja útil para as comunidades lusófonas a nível mundial.



Referências

Poeck, K., Kerschensteiner, M., Stachowiak, F. J. e Huber W. (1975). Die Aphasien, aktuelle neurologie 2, 159-169.

Huber, W. Poeck, K. e Weniger, D. (1982). Aphasie, In: Poeck, K. (Hrsg.), Klinische Neuropsychologie, Stuttgart: Thieme.

Lauterbach, M., Martins, I.P., Leal, G., Fonseca, J., e Wilmes, K. (2019). AAT – Bateria de Afasia de Aachen – Manual Técnico e de Administração. Lisboa: Editora Hogrefe.

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