A perturbação explosiva intermitente


A Perturbação Explosiva Intermitente (PEI) está descrita no DSM desde 1987 e na sua última versão, no DSM 5, inclui-se no grupo de perturbações Disruptivas, do Controle de Impulsos e do Comportamento.

Incluídos neste grupo estão as perturbações que têm um impacto negativo no contexto social em que o doente se insere. Os comportamentos que quem sofre com esta perturbação tem acabam por violar os direitos dos outros e por desrespeitarem a autoridade e as normas da convivência em sociedade, uma vez que estes problemas se manifestam sobretudo por uma falta de controlo que podem levar à agressão e à destruição de propriedade.


Contexto e características da PEI

No caso desta perturbação há uma clara falha no controlo emocional que leva a uma agressividade desproporcional ao acontecimento que a desencadeou. Esta agressividade pode ser verbal, dirigidas a propriedade, animais ou pessoas ou agressões físicas sob a forma de destruição de bens ou de lesões em pessoas e/ou animais.

Como referem as autoras do livro, publicado pela Hogrefe CETEPP, Como lidar com a raiva e o transtorno explosivo intermitente, estudos sobre o comportamento agressivo revelam que as circunstâncias ambientais negativas contribuem para o desenvolvimento da PEI, e que estas podem incluir traumas presentes devido a desastres ou acidentes, maus-tratos (abusos físico, emocional ou sexual) ou negligência, por exemplo. 

As autoras acrescentam ainda: «Além das implicações neurobiológicas e comportamentais que as experiências negativas infantis acarretam ao indivíduo, os fatores negativos sociais prejudicam também o processamento de informações, ou seja, como uma pessoa enxerga a si, o outro e o mundo sua volta.» (Seger, Liliana, [et al.], pág.47) Assim, existe uma maior propensão para percecionar intenções hostis por parte dos outros, para acreditar que está a ser tratado de forma injusta, para ser mais sensível a avaliações negativas, críticas e ofensas e para ter menor tolerância em situações de stress, levando depois à explosão da raiva e da agressividade.


Tratamento

É um desafio para quem convive com o individuo com este transtorno saber o que fazer e como ajudar. As pessoas que sofrem com esta perturbação podem ter de ser acompanhadas pelo psiquiatra e pelo psicólogo, que em conjunto delineiam o tratamento adequado, que pode passar pela medicação ou, por exemplo, pela terapia cognitivo-comportamental, que procura alterar o modo como certos pensamentos negativos intrusivos e constantes influenciam as emoções e os comportamentos destas pessoas, tentando alterar estes padrões agressivos.

O livro Como lidar com a raiva e o transtorno explosivo intermitente, é um guia pático para o público em geral, mas também útil para os profissionais e que pode ajudar a compreender melhor esta perturbação e sobretudo o que fazer quando alguém próximo, sofre com esta perturbação.



Bibliografia

Como lidar com a raiva e o transtorno explosivo intermitente - Guia prático para pacientes, familiares e profissionais de saúde, Seger, Liliana, [et al.], Hogrefe CETEPP, 2020
DSM 5 - Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, 2014, Climepsi Editores

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