Como é a experiência de utilização do NeuroRi?


Um dos principais desafios da estimulação cognitiva é a adequação das atividades aos objetivos da intervenção e ao nível de funcionamento neurocognitivo da pessoa. Atividades demasiadamente simples ou complexas, poderão gerar frustração e resistência, pelo que a organização em diferentes níveis de complexidade permite a adequação do uso do NeuroRi com diferentes pessoas, quer de forma individual quer em grupo. Esta organização facilita igualmente a perceção relativa à evolução no desempenho.


As tarefas do NeuroRi

A variedade de tarefas, associadas a cada uma das funções cognitivas, permite uma maior intencionalidade na estimulação, ou seja, a adequação das atividades às necessidades e dificuldades neurocognitivas. Os manuais técnicos estão organizados de forma clara, descrevendo as atividades associadas à estimulação de cada função e apresentando sugestões uteis para o desenvolvimento do processo de estimulação.


Os contextos de utilização do NeuroRi

O NeuroRi tem sido usado em diversos contextos desde uma perspetiva preventiva, em pessoas cognitivamente incólumes, até no retardamento do declínio cognitivo, em pessoas com alterações cognitivas ligeiras e quadros moderados de demência. Têm sido obtidos resultados positivos não só em termos da melhoria do desempenho cognitivo, como também em termos de cognição funcional (isto é, da cognição em atividades da vida diária como gestão financeira e organização da medicação) e do funcionamento social. A experiência demonstra que é fácil manter a motivação dos participantes quer na intervenção individual quer em grupo, sendo que em diversas situações, os participantes adquirem hábitos de estimulação cognitiva procurando inclui-los nas suas rotinas diárias (leitura, sopas de letras, entre outros). A estimulação através do NeuroRi tem evocado reminiscências (isto é, memórias da biografia pessoal), com efeito positivo em termos motivacionais e do reconhecimento da relevância da estimulação cognitiva para o fortalecimento da reserva cognitiva.

A utilização em ambiente caseiro, propicia momentos de encontro nos quais a estimulação cognitiva se assume não como uma obrigação, mas como uma necessidade “lúdica”. A descrição das funções cognitivas, assim como da evolução do nível de dificuldade e as sugestões de aplicação das diversas atividades, auxiliam de forma decisiva a utilização do NeuroRi por “facilitadores” informais. Paralelamente, promovem a psicoeducação relativamente à relação entre as funções cognitivas e da reserva cognitiva como uma forma de prevenir ou retardar o declínio cognitivo.

Enquanto neuropsicólogos, o recurso ao NeuroRi tem sido alicerçado no programa de treino neurocognitivo ramificado* com base no modelo de Lúria, fazendo depender a abordagem da avaliação neuropsicológica.


De um modo geral, o que a experiência de utilização do NeuroRi nos demonstra é que a individualização favorecida pela diversidade de exercícios, motiva as pessoas e contribui para a integração de atividades estimulantes do ponto de vista cognitivo nas suas rotinas diárias, atuando como promotor de reserva cognitiva.


[Um artigo escrito por Joana Pinto, Emanuela Lopes e Bruno Peixoto, autores do NeuroRi]


* Pinto, J. O., Dores, A. R., Peixoto, B., & Barbosa, F. (2020). Programmed neurocognitive training: proposal of a new approach. Disability and Rehabilitation, 1-8.

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